O carregador de celular é um acessório pequeno, mas diretamente conectado à rede elétrica e utilizado repetidamente ao longo da vida útil do aparelho. Por isso, sua avaliação não se limita a verificar se ele carrega o telefone.
Os requisitos técnicos aplicáveis aos carregadores consideram aspectos de segurança elétrica, resistência mecânica, aquecimento, integridade dos pinos, marcações e comportamento após esforços de uso.
No Brasil, a Anatel atualizou os requisitos técnicos e os procedimentos de ensaio aplicáveis a carregadores de telefones celulares por meio do Ato nº 5.155, de 17 de abril de 2024. Segundo a Agência, a atualização reforçou justamente as avaliações de resistência mecânica e térmica, com foco na segurança do usuário.
O escopo acreditado do NTD contempla diferentes atividades relacionadas a essa avaliação, entre elas proteção contra aquecimento excessivo, conexão e desconexão do carregador, queda livre, impacto, compressão, abrasão, verificação dimensional e marcações.
Por que um carregador precisa passar por ensaios?
Durante o uso, o carregador é submetido a situações que vão além da simples passagem de corrente elétrica.
Ele é inserido e retirado da tomada inúmeras vezes, pode sofrer quedas, impactos e esforços sobre os pinos e permanecer conectado à rede elétrica por longos períodos.
Essas condições podem revelar fragilidades que não seriam percebidas apenas verificando se o carregador funciona.
A própria Anatel destaca que os ensaios procuram avaliar situações como queda livre, exposição a altas temperaturas, conexão e desconexão sucessiva da tomada e torção dos pinos. O objetivo é reduzir riscos relacionados ao uso e verificar se, após essas solicitações, o produto continua oferecendo condições adequadas de segurança.
Por isso, a avaliação de um carregador reúne ensaios mecânicos, térmicos e elétricos.
O que é avaliado no ensaio de conexão e desconexão?
Esse é um dos ensaios específicos contemplados no escopo acreditado do NTD. O Ato Anatel nº 5.155/2024, item 7.2.6.1, estabelece a avaliação de conexão e desconexão do carregador. Nesse procedimento, o carregador é submetido repetidamente ao movimento de inserção e retirada da tomada, de acordo com as condições previstas no método.
A finalidade é avaliar como os pinos e a estrutura se comportam diante de um esforço típico do uso cotidiano. A Anatel explica que, após a sequência prevista de ensaios, os pinos não devem apresentar deformações que prejudiquem ou impeçam a inserção e a retirada correta da tomada. Também não deve ocorrer soltura ou deformação de partes que exponha contato elétrico vivo.
Portanto, não se trata apenas de verificar se o plugue “ainda encaixa”. O ensaio está diretamente relacionado à manutenção das condições de segurança do produto.
Queda, impacto e compressão também fazem parte da avaliação?
Sim. Carregadores são acessórios portáteis e podem sofrer quedas ou choques durante o transporte e o uso. Por isso, a resistência mecânica também precisa ser considerada.
No escopo do NTD estão incluídos os ensaios de queda livre, impacto, compressão e abrasão relacionados aos requisitos do Ato Anatel nº 5.155/2024, além das referências aplicáveis a plugues e tomadas. Essas avaliações procuram verificar se os esforços provocam danos capazes de comprometer a segurança.
Uma pequena marca externa, por exemplo, não possui necessariamente a mesma importância de uma trinca que permita acesso às partes energizadas. O critério precisa ser interpretado conforme o requisito técnico aplicável.
A avaliação mecânica, portanto, não busca apenas descobrir se o carregador “quebra”. Ela procura verificar se o produto permanece seguro depois dos esforços previstos.
Por que o aquecimento do carregador é avaliado?
Algum aquecimento durante o funcionamento pode ocorrer normalmente em fontes e carregadores. O problema surge quando a temperatura ultrapassa as condições estabelecidas para o produto.
O escopo acreditado do NTD contempla a avaliação de proteção contra aquecimento excessivo, relacionada ao Ato Anatel nº 17.087/2022 e ao Ato nº 5.155/2024.
Essa avaliação é importante porque temperaturas inadequadas podem afetar os materiais internos, o isolamento e a integridade do carregador.
A atualização regulatória de 2024 foi motivada, entre outros aspectos, pela necessidade de aperfeiçoar justamente os procedimentos relacionados à resistência térmica dos carregadores.
Assim, um carregador que executa corretamente sua função elétrica ainda precisa demonstrar comportamento adequado sob as condições térmicas estabelecidas.
O formato e as dimensões dos pinos também são verificados?
Sim. A segurança do carregador também depende da compatibilidade física entre seus pinos e a tomada. O escopo do NTD inclui a verificação dimensional, conforme o item 7.2.5 do Ato Anatel nº 5.155/2024.
Essa análise verifica requisitos relacionados à construção física do plugue, considerando as referências técnicas aplicáveis.
O controle dimensional é relevante porque alterações inadequadas nos pinos podem dificultar a conexão, comprometer o contato elétrico ou produzir uma condição insegura de utilização. É por isso que a avaliação do carregador não se limita aos componentes eletrônicos localizados dentro do invólucro.
O carregador também passa por avaliação das marcações?
Sim. O escopo acreditado do NTD contempla a verificação de marcação e instruções, conforme o Ato Anatel nº 17.087/2022.
As informações presentes no equipamento e em sua documentação são parte da avaliação porque ajudam a identificar corretamente o produto e suas condições de utilização.
Dependendo dos requisitos aplicáveis, podem ser verificadas informações técnicas, identificação e demais marcações previstas para a categoria.
Portanto, a conformidade não está relacionada apenas ao desempenho físico do carregador. A informação fornecida ao usuário também integra a avaliação.
O que acontece se o carregador for alterado depois dos ensaios?
Alterações relevantes podem modificar os resultados obtidos anteriormente. A troca do material do invólucro, a modificação dos pinos, mudanças na placa eletrônica, componentes internos, isolamento ou configuração da fonte podem afetar o comportamento mecânico, elétrico ou térmico.
Nesse caso, deve-se verificar se os ensaios anteriores continuam representativos da nova configuração. Quando o carregador já integra um processo de certificação ou homologação, a avaliação da alteração precisa considerar também os requisitos estabelecidos pelo organismo responsável e pela Anatel.
Ensaio, certificação e homologação são a mesma coisa?
Não. Essa distinção é especialmente importante nos produtos de telecomunicações.
O laboratório realiza os ensaios e emite os respectivos relatórios técnicos.
O Organismo de Certificação Designado (OCD) conduz o processo de avaliação da conformidade e emite o certificado correspondente, quando os requisitos são atendidos.
A Anatel é responsável pela homologação do produto conforme o processo regulatório aplicável.
Portanto, um relatório de ensaio aprovado não significa, isoladamente, que o carregador esteja homologado.
Os ensaios constituem uma das etapas técnicas necessárias para demonstrar o atendimento aos requisitos.
Qual é o papel do NTD?
O NTD possui acreditação CRL 1096 e contempla em seu escopo diferentes ensaios aplicáveis a equipamentos de tecnologia da informação, telecomunicações e produtos sujeitos aos requisitos da Anatel.
Para carregadores, o escopo inclui atividades como proteção contra aquecimento excessivo, conexão e desconexão, queda livre, impacto, compressão, abrasão, verificação dimensional e marcações e instruções.
A acreditação está vinculada às atividades expressamente relacionadas no documento de escopo.
O NTD realiza os ensaios e emite os relatórios técnicos. A certificação e a homologação do equipamento pertencem às etapas posteriores conduzidas pelos respectivos responsáveis.
Perguntas frequentes
Quais ensaios um carregador de celular precisa realizar?
Dependendo da configuração e dos requisitos aplicáveis, a avaliação pode incluir aquecimento excessivo, conexão e desconexão, queda livre, impacto, compressão, abrasão, dimensões e marcações. O Ato Anatel nº 5.155/2024 estabelece requisitos técnicos específicos para carregadores de telefones celulares.
Para que serve o ensaio de conexão e desconexão?
Ele avalia o comportamento do carregador diante de inserções e retiradas repetidas da tomada, verificando especialmente a integridade dos pinos e a manutenção das condições de segurança.
O carregador pode aquecer durante o uso?
Algum aquecimento pode ocorrer, mas o equipamento precisa permanecer dentro das condições estabelecidas pelos requisitos aplicáveis. Por isso, existem avaliações específicas de proteção contra aquecimento excessivo.
Um carregador aprovado nos ensaios já está homologado pela Anatel?
Não. Os relatórios de ensaio são evidências utilizadas no processo de avaliação da conformidade. A certificação é conduzida pelo OCD e a homologação é concedida pela Anatel.
O NTD realiza ensaios em carregadores?
Sim. O escopo acreditado CRL 1096 do NTD contempla diferentes ensaios aplicáveis a carregadores e equipamentos de telecomunicações conforme os requisitos indicados no documento.
NTD Laboratório
O NTD realiza ensaios em carregadores conforme as atividades incluídas em seu escopo acreditado pela ABNT NBR ISO/IEC 17025.
Para verificar os ensaios aplicáveis à configuração do seu produto e as condições necessárias para o envio das amostras:
Telefone: +55 (11) 93938-4015
E-mail: [email protected]
