Artigos escolares fazem parte da rotina de crianças e adolescentes. Por isso, não basta que sejam bonitos, funcionais ou fáceis de usar. Esses produtos também precisam ser avaliados para verificar se apresentam riscos durante o uso normal ou em situações previsíveis, como quedas, pressão, puxões e torções.
O chamado ensaio de resistência mecânica em artigos escolares verifica como o produto e seus componentes se comportam quando submetidos a esforços definidos em norma técnica.
Na prática, não se trata de um único teste. Dependendo do tipo de artigo, podem ser realizadas diferentes avaliações para identificar quebras, deformações, desprendimento de peças, pontas agudas, bordas cortantes e outras condições que possam comprometer a segurança do usuário.
No Brasil, os artigos escolares abrangidos pela regulamentação estão sujeitos à Portaria Inmetro nº 423/2021. O regulamento estabelece os requisitos para a avaliação da conformidade desses produtos, incluindo regras de amostragem, ensaios, marcações, uso do selo e registro. As avaliações são realizadas com base na ABNT NBR 15236 e nos demais requisitos aplicáveis.
O que significa resistência mecânica?
A resistência mecânica é a capacidade de um produto suportar os esforços esperados durante o uso sem apresentar falhas que possam gerar riscos.
Isso não significa que o artigo escolar tenha de ser inquebrável. O objetivo é verificar se ele se comporta de maneira adequada para sua finalidade e se, durante ou depois dos ensaios, não surgem situações proibidas pela norma.
Dependendo do produto, a avaliação pode verificar:
- se peças e componentes permanecem fixos;
- se alguma parte se desprende;
- se o artigo quebra ou se deforma;
- se surgem pontas ou bordas perigosas;
- se mecanismos continuam funcionando;
- se partes internas perigosas ficam acessíveis;
- se o produto mantém condições adequadas após os esforços aplicados.
Os requisitos não são iguais para todos os artigos escolares. Uma tesoura, uma régua, uma caneta e um apontador possuem formatos, componentes e riscos diferentes. Por isso, cada produto deve ser avaliado de acordo com suas próprias características.
Quais artigos escolares estão sujeitos à regulamentação?
A Portaria Inmetro nº 423/2021 abrange diferentes categorias de artigos escolares. Entre os produtos relacionados pelo Inmetro estão:
- apontadores;
- borrachas e ponteiras de borracha;
- canetas esferográficas, roller, gel e hidrográficas;
- colas;
- compassos;
- corretores;
- curvas francesas;
- estojos;
- esquadros;
- giz de cera;
- lápis de cor;
- lápis preto ou grafite;
- lapiseiras;
- marcadores de texto;
- massas plásticas;
- merendeiras ou lancheiras;
- normógrafos;
- pastas com aba elástica;
- réguas;
- tesouras de ponta redonda;
- transferidores;
- determinadas tintas para uso escolar.
A presença do produto nessa relação não significa que todos os artigos passem exatamente pelos mesmos ensaios.
Uma régua, por exemplo, não possui a mesma construção de uma caneta com tampa. Da mesma forma, uma tesoura apresenta características diferentes de uma massa plástica. Os ensaios são definidos conforme o tipo de produto, seus componentes e os riscos associados ao uso.
Também é importante confirmar se o artigo realmente se enquadra na regulamentação. O nome usado na embalagem ou no catálogo não é suficiente, por si só, para determinar quais requisitos se aplicam.
Quais ensaios mecânicos podem ser realizados?
Segundo o Inmetro, entre os principais ensaios previstos para artigos escolares estão queda, compressão, flexão, torção, tração, partes pequenas, bordas cortantes, pontas agudas, acessibilidade de componentes e ventilação de tampas.
A aplicação de cada avaliação depende do produto.
Ensaio de queda
O ensaio de queda verifica como o artigo se comporta após sofrer impactos em condições definidas.
A avaliação permite observar se o produto quebra, se alguma peça se solta ou se surgem pontas, bordas ou partes que possam representar risco.
Ensaio de compressão
Nesse ensaio, o produto é submetido a uma força de pressão.
O objetivo é verificar se o artigo ou algum de seus componentes pode quebrar, deformar, soltar-se ou criar uma condição perigosa quando pressionado.
Ensaio de flexão
A flexão avalia o comportamento de peças que podem ser dobradas ou curvadas durante o uso.
O laboratório observa se o esforço provoca ruptura, deformação excessiva, desprendimento de partes ou exposição de elementos perigosos.
Ensaio de torção
A torção ocorre quando uma peça é submetida a um movimento de giro.
A avaliação ajuda a verificar se componentes que podem ser segurados e girados continuam devidamente fixados e íntegros.
Ensaio de tração
No ensaio de tração, peças e componentes são submetidos a uma força de puxamento.
A finalidade é verificar a resistência das fixações e identificar se alguma parte pode se desprender com facilidade.
Avaliação de partes pequenas
Essa avaliação verifica se peças existentes no produto ou liberadas após outros ensaios possuem dimensões que possam representar risco.
Uma peça inicialmente fixa, por exemplo, pode se soltar depois de uma queda, torção ou tração. Nesse caso, ela pode precisar ser avaliada como uma parte pequena.
Verificação de bordas cortantes
A análise procura identificar bordas que possam causar cortes.
Essas bordas podem estar presentes na construção original do produto ou surgir depois de uma quebra ou deformação.
Verificação de pontas agudas
A avaliação verifica a presença de pontas que possam causar perfurações ou ferimentos.
Assim como ocorre com as bordas cortantes, uma ponta perigosa pode existir desde o início ou aparecer depois de outro ensaio mecânico.
Acessibilidade de componentes
Essa verificação analisa se partes internas ou potencialmente perigosas podem ser alcançadas pelo usuário.
Um componente pode estar protegido dentro do produto em condições normais, mas se tornar acessível depois de uma queda ou quebra. Por isso, essa avaliação pode ser realizada junto com outros ensaios.
Ventilação de tampas
A avaliação de ventilação está relacionada principalmente a tampas que podem ser levadas à boca, como as de determinadas canetas.
A finalidade é verificar se a construção permite a passagem de ar nas condições previstas, reduzindo riscos em uma eventual obstrução das vias respiratórias.
Como funciona a avaliação no laboratório?
O procedimento depende do produto e dos requisitos aplicáveis. Antes de iniciar os ensaios, o laboratório identifica a amostra e analisa suas características.
Podem ser considerados aspectos como:
- tipo e finalidade do artigo;
- materiais utilizados;
- presença de partes móveis;
- sistemas de fechamento ou fixação;
- componentes que podem ser removidos;
- faixa etária indicada;
- informações fornecidas pelo fabricante;
- normas e regulamentos aplicáveis.
Depois dessa análise, são definidos os ensaios correspondentes ao produto.
A amostra é então submetida aos esforços e às verificações previstas. Durante o processo, o laboratório observa o comportamento do artigo, registra as condições encontradas e compara os resultados com os critérios estabelecidos nos documentos técnicos aplicáveis.
De forma simplificada, o processo segue estas etapas:
identificação da amostra → definição dos requisitos → realização dos ensaios → avaliação do produto → registro dos resultados
A análise não depende da opinião pessoal do avaliador. O laboratório segue métodos e critérios previamente estabelecidos.
Todos os artigos escolares passam pelos mesmos ensaios?
Não.
Os ensaios são definidos conforme o tipo de produto e suas características. Uma caneta com tampa, por exemplo, pode exigir verificações diferentes das aplicáveis a uma régua ou a uma tesoura.
Além disso, uma avaliação pode levar a outra. Se uma peça se desprender durante um ensaio de queda ou tração, por exemplo, ela poderá ser analisada quanto a partes pequenas, bordas cortantes ou pontas agudas.
Por isso, a avaliação mecânica não verifica apenas se o produto “aguenta” determinado esforço. Ela também observa o que acontece depois da aplicação desse esforço e quais riscos podem surgir.
Por que realizar os ensaios em um laboratório acreditado?
A acreditação conforme a ABNT NBR ISO/IEC 17025 demonstra a competência do laboratório para realizar atividades específicas incluídas em seu escopo.
Isso significa que a acreditação não se aplica automaticamente a qualquer ensaio. É necessário verificar se o produto, o método e o requisito estão contemplados no escopo do laboratório.
O NTD possui acreditação CRL 1096 e inclui em seu escopo a verificação das propriedades mecânicas de artigos escolares conforme a ABNT NBR 15236:2021, item 5.1.
A consulta ao escopo permite confirmar quais atividades são realizadas sob acreditação e quais referências técnicas são aplicadas.
NTD Laboratório
O NTD realiza a verificação das propriedades mecânicas de artigos escolares conforme seu escopo acreditado pela ABNT NBR ISO/IEC 17025.
Para avaliar o enquadramento do produto, os requisitos aplicáveis e as condições necessárias para os ensaios, entre em contato com a equipe técnica:
Telefone: +55 (11) 93938-4015
E-mail: [email protected]
